Por que o trabalho das mulheres é menos valorizado?
As mulheres são vítimas de uma valorização baseada em gênero que impacta seu sucesso, sua evolução de carreira e seu desempenho no trabalho.
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A valorização do trabalho ainda é baseada em gênero
Hoje, observamos dois mecanismos que ativam a diferenciação de julgamento do trabalho realizado por um homem ou por uma mulher.
O valor percebido das mulheres
A implementação de uma diferença de valor entre os sexos aconteceu há muito tempo. Segundo a teoria de Françoise Héritier "a Valência diferencial dos sexos", a construção hierárquica coloca a mulher abaixo do homem. Encontramos aí a necessidade dos homens de tomar o controle daquilo que é impossível fazer sem passar pelo corpo de uma mulher: a reprodução. "Porque os homens não geram filhos diretamente com seu próprio corpo, enquanto as mulheres geram meninas e meninos, eles fizeram com que os corpos femininos estivessem à sua disposição." Esta diferença de valor criou uma supremacia do masculino sobre o feminino, uma hierarquia que sinaliza que os valores portados pelo polo masculino são considerados superiores àqueles portados pelo polo feminino.
O comportamento percebido das mulheres
Além do valor percebido, ainda encontramos a problemática do comportamento percebido das mulheres. Uma mulher brilhante é automaticamente estereotipada como antipática, com necessidade de empurrar a concorrência do alto do penhasco para ter sucesso. E quando as mulheres tentam ter sucesso ou jogar no mesmo campo, sempre há homens que estão lá para lembrá-las de que não estão no seu lugar. Em março de 2019, uma esportista foi parada pelos organizadores durante uma corrida. A razão? Ela estava se aproximando demais do pelotão masculino que havia começado 8 minutos antes do das mulheres. Conclui-se que as expectativas sociais em relação às mulheres nunca foram as de desafiantes nem de vencedoras. As mulheres estariam portanto predestinadas a sempre ocupar o segundo lugar.
As consequências para a igualdade entre homens e mulheres
As consequências desta diferenciação são múltiplas. Encontramos três principais: na carreira, nas representações, mas também na saúde.
As consequências na carreira
Hoje, ainda se considera que o trabalho de uma mulher é menos qualitativo que o de um homem ou que ela não tem a atitude esperada. As mulheres alcançam posições menos prestigiosas e são menos bem pagas porque:
- A socialização diferenciada e os estereótipos reforçam a ideia de que uma mulher não pode ser ambiciosa e que não tem as capacidades para chegar lá.
- As mulheres são obrigadas a trabalhar mais para ter sucesso.
- Quando fazem tudo para chegar lá, os sistemas de recrutamento e promoção retardam sua progressão.
As consequências nas representações
Nas representações coletivas e nos espaços públicos, as mulheres são majoritariamente representadas em papéis secundários, seja nas ficções ou na realidade. Nomeadamente no mundo empresarial, onde ainda encontramos ofertas de emprego baseadas em gênero. Procura-se um diretor e sua assistente ou um responsável de seção e uma caixa.
As consequências na saúde
Para certas mulheres, a pressão do trabalho pode levar ao abuso de medicamentos que melhoram o desempenho. Em uma análise das prescrições para o tratamento de Transtornos de Déficit de Atenção, os pesquisadores constataram que o consumo destes medicamentos entre as jovens mulheres havia aumentado. É portanto urgente transformar nossos esquemas de pensamento para permitir que as mulheres obtenham o lugar que suas capacidades merecem.
Favorecer a valorização das mulheres
Há um fundamento da nossa sociedade do qual decorrem todas as alavancas de ação que podemos estimular: o "male gaze". Este termo traduzido em português como "olhar masculino" designa o fato de que a cultura dominante impõe ao público adotar o olhar do homem branco heterossexual. Em uma cultura onde as capacidades das mulheres não são respeitadas, é impossível que aprendam eficazmente, que progridam, que liderem ou que participem da sociedade de forma satisfatória. Então, como fazer para que o male gaze não seja mais a norma estabelecida?
Assegurar a diversidade dos líderes
Seria preciso começar por reforçar a diversidade dos dirigentes em todo tipo de instituição. Na empresa, será necessário se concentrar na diversidade dos gestores e dos membros dos comitês de direção. A diversidade oferece um ponto de vista muito mais amplo com mais nuances e respeito pelas diferentes perspectivas.
Rever a integralidade dos sistemas
Hoje, é preciso compreender que o princípio de igualdade de oportunidades não existe realmente em nossas sociedades e que é necessário rever a integralidade dos nossos sistemas (recrutamento, promoções, subsídios…)

