Tudo o que você precisa saber para recrutar sem discriminar
Recrutar sem discriminação exige conhecimento das leis de discriminação existentes e o cumprimento de etapas fundamentais.
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O que é discriminação no recrutamento?
A discriminação no processo de recrutamento pode ser um fenômeno consciente ou inconsciente, que pode se manifestar de diversas formas durante o processo de contratação. Pode envolver a introdução de critérios subjetivos na descrição do cargo que não estão relacionados às qualificações dos candidatos nem à sua experiência profissional. A discriminação também ocorre quando o recrutador faz perguntas consideradas discriminatórias durante a entrevista de emprego. Além disso, os serviços de comunicação da empresa podem praticar discriminação ao utilizar canais para divulgar vagas que não são acessíveis a todos os tipos de candidatos. Assim como existem diferentes abordagens de discriminação, também existem diferentes tipos de discriminação no recrutamento. Por exemplo, podem ser citados:
- Discriminação por gênero ou sexo;
- Segregação baseada na idade do candidato;
- Diferenças de tratamento baseadas em etnia ou raça;
- Discriminação baseada em crenças políticas;
- Exclusão de pessoas com deficiência;
- Segregação baseada na orientação sexual;
- Discriminação baseada em religião ou situação familiar.
Portanto, recrutar sem discriminação requer atenção a muitos fatores ao longo de todo o processo de contratação.
O que diz a lei sobre discriminação no recrutamento?
O Artigo 122-45 do Código do Trabalho proíbe todos os tipos de empresas de discriminar candidatos a emprego durante o processo de recrutamento. A lei também estabelece vários critérios considerados discriminatórios que os serviços competentes não devem incluir no anúncio de emprego. Portanto, uma empresa que deseja recrutar sem discriminação deve garantir que seu anúncio de emprego não contenha nenhum desses critérios, não se dirija de forma diferente a homens, mulheres ou pessoas não binárias, e não mencione a idade do candidato. Também deve utilizar canais de comunicação acessíveis a todos para publicar seu anúncio de recrutamento.
Quais são as consequências da discriminação para as empresas?
A não discriminação de candidatos a emprego não é apenas uma questão importante para as empresas, mas também uma obrigação legal. Qualquer organização que não garanta recrutar sem discriminação está sujeita a multa e prisão, conforme definido pela autoridade civil ou criminal competente. A lei permite que candidatos vítimas de discriminação durante a contratação (segundo as condições do Artigo 225-1 do Código Penal) busquem recurso criminal ou civil para apresentar queixa e obter reparação. O recurso criminal é feito perante o tribunal criminal. A vítima pode recorrer aos tribunais competentes para iniciar processos judiciais. O recurso civil envolve o Tribunal do Trabalho. Ele permite que a vítima obtenha indenização proporcional ao dano causado. Além disso, outros recursos são possíveis por meio de associações sindicais ou organizações como SOS Racisme e o Defensor dos Direitos, entre outros. Se as acusações do reclamante forem consideradas justificadas, a empresa responsável pela discriminação corre o risco de uma multa de até €225.000 e proibição de operar. Também é importante observar que a imagem e a marca empregadora de tal empresa podem ser severamente comprometidas.
Quais são as etapas para recrutar sem discriminação?
Para ter sucesso em seu recrutamento e não infringir a lei, as empresas devem prestar atenção especial à questão da não discriminação na contratação. Aqui estão as etapas a seguir para garantir o recrutamento sem discriminação, intencional ou não.
1. Definir objetivamente as necessidades de recrutamento
Para evitar qualquer risco de discriminação, as empresas devem determinar objetivamente o que esperam do candidato para a posição a ser preenchida. Esse exercício envolve identificar e listar as tarefas a serem realizadas e, para cada uma delas, as competências necessárias e a experiência profissional. Também pode ser útil avaliar as soft skills necessárias para o cargo. Naturalmente, o departamento responsável por essa etapa deve garantir que cada critério promova a não discriminação (sempre consultar a lei) e melhore a qualidade do recrutamento. É muito importante que a redação de cada tarefa seja neutra e relevante, não baseada em julgamentos pessoais.
2. Formalizar o processo de recrutamento
Para apoiar a definição objetiva das necessidades de recrutamento sem discriminação, é essencial formalizar o processo. Isso significa que o RH deve estabelecer procedimentos transparentes e, acima de tudo, rastreáveis, que garantirão a aplicação dos mesmos critérios a todos os candidatos em cada etapa do recrutamento. Essa formalização envolve a criação de ferramentas e documentos que promovam a igualdade e a objetividade no processo. Isso inclui a criação de descrições de cargo, roteiros de entrevista, formulários de candidatura, relatórios de entrevista ou até mesmo o estabelecimento de um teste psicométrico e um teste de personalidade padronizado. Essa abordagem não apenas demonstra a vontade da empresa de recrutar sem discriminação, mas também representa um argumento forte para sua defesa caso uma queixa seja apresentada.
3. Buscar candidaturas
Essa etapa é delicada porque aumenta o risco de discriminação durante o recrutamento. De fato, mesmo as empresas mais capacitadas que recrutam sem discriminação podem cair na armadilha das buscas direcionadas de candidatos. Isso implica que o anúncio de emprego seja publicado por meio de fontes pré-identificadas, como associações, redes profissionais e pessoais conhecidas, escolas especializadas, etc. Isso constitui uma abordagem discriminatória, pois as chances de descobrir a oferta não são igualmente acessíveis a todos os candidatos potenciais. Para remediar isso, é recomendável diversificar o recrutamento, favorecendo uma distribuição mais ampla do anúncio. Isso permite alcançar o maior número possível de pessoas com o perfil adequado, aumentando as chances de encontrar o candidato ideal.
4. Seleção não discriminatória de candidaturas
Essa etapa exige que os responsáveis por recrutar sem discriminação restrinjam seus próprios preconceitos e estereótipos ao selecionar candidatos. Para facilitar isso, a empresa deve estabelecer um framework que não deixe espaço para considerações pessoais. Para isso, várias ferramentas físicas e digitais podem ser utilizadas, oferecendo as mesmas oportunidades aos candidatos, como um teste lógico padronizado, por exemplo. Também é possível adotar práticas como exercícios situacionais, seleção anônima ou definição de perguntas mais relevantes para as competências do que para a personalidade.
5. Conduzir entrevistas não discriminatórias
Embora seja possível implementar diversas ferramentas para criar uma oferta de emprego que permita recrutar sem discriminação, é mais difícil manter critérios de objetividade durante a entrevista de emprego. Portanto, é importante nessa etapa elaborar perguntas para que cada uma avalie as competências do indivíduo em relação às necessidades da posição a ser preenchida.
6. Contratação não discriminatória
A última etapa para facilitar a não discriminação no recrutamento é definir as condições de contratação independentemente do candidato. Isso significa que a natureza e a duração do contrato, o tipo de remuneração, a aplicação de um período probatório, etc., não devem depender da pessoa à sua frente, mas dos requisitos da posição. Nessa etapa, a formalização do recrutamento continua sendo o melhor recurso que a organização tem para garantir a ausência de critérios ou decisões discriminatórias em seu processo de contratação. O uso de IA no recrutamento também pode ser muito útil, pois ajuda a evitar vieses humanos.
Algumas boas práticas para recrutar sem discriminação
Uma empresa que deseja recrutar sem discriminação deve adotar certas boas práticas para promover a igualdade de oportunidades e garantir a ausência de qualquer forma de discriminação.
Anonimizar o currículo no ATS
Ao ocultar todas as informações pessoais do currículo, a empresa garante um recrutamento baseado exclusivamente nas habilidades profissionais do candidato. Para isso, deve utilizar um ATS (Applicant Tracking System) que permita à equipe de recrutamento obter apenas dados profissionais. Essa prática elimina vieses de seleção e dá aos candidatos a mesma chance de chegar à etapa da entrevista de emprego.
Adotar um ATS com certificação ética
Um ATS com certificação ética é um sistema que opera com base em princípios éticos. Seus algoritmos são projetados para aplicar regras que estejam em conformidade com a lei sobre o uso de informações pessoais durante o recrutamento. Essa ferramenta também possui recursos-chave (igualdade de oportunidades, pontuação, anonimização, etc.), que ajudam efetivamente a recrutar sem discriminação.
Treinar gestores
Treinar gestores é necessário para educá-los sobre a lei vigente e as consequências do não cumprimento das regulamentações, e para ensiná-los métodos de não discriminação. Também os apresenta a técnicas e ferramentas para recrutar sem discriminação, como KPIs de recrutamento sobre diversidade e inclusão. Além disso, pode ser útil chamar a atenção para o impacto de considerações pessoais e estereótipos no processo. Em resumo, com as ferramentas certas e um bom conhecimento das regras e práticas de não discriminação, as empresas podem melhorar seu processo de contratação para recrutar com sucesso sem discriminar. Agende uma demonstração do produto. Experimente gratuitamente por 14 dias.[uncode_index el_id="index-983816" loop="size:3|order_by:date|post_type:post|taxonomy_count:10" auto_query="yes" auto_query_type="related" screen_lg="1000" screen_md="600" screen_sm="480" gutter_size="3" post_items="media|featured|onpost|original,title,author|sm_size|hide_qualification" single_overlay_opacity="50" single_padding="2" single_title_dimension="h5" single_title_height="fontheight-179065"]
